
O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) divulgou que o Poder Judiciário alcançou a maior pontuação já registrada no iGovTIC-JUD, índice que mede a maturidade em governança, gestão e infraestrutura de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) dos tribunais brasileiros. O resultado consolida uma trajetória de crescimento contínuo desde a criação do índice: a média nacional saiu de 68,7 pontos em 2021 para 79,14 em 2022, 86,27 em 2023 e 87,41 em 2024, uma evolução de mais de 20 pontos em apenas quatro ciclos de avaliação.
O iGovTIC-JUD é aplicado anualmente a todos os órgãos do Judiciário sob supervisão do CNJ, dentro da Estratégia Nacional de Tecnologia da Informação e Comunicação do Poder Judiciário (ENTIC-JUD). A avaliação cobre três pilares centrais (governança, gestão e infraestrutura de TIC) e vem, a cada edição, incorporando critérios mais rigorosos, incluindo checagem de conformidade normativa e evidências formais enviadas pelos próprios tribunais.
Por que esse dado importa além do Judiciário
É tentador tratar esse tipo de índice como métrica interna, relevante só para quem trabalha dentro dos tribunais. Mas o resultado tem valor prático para qualquer gestor público que lida com tecnologia: o Judiciário construiu, ano após ano, um modelo de avaliação estruturado, com critérios objetivos e comparáveis entre órgãos, e é justamente esse tipo de método, mais do que qualquer tecnologia específica, que sustenta uma evolução consistente ao longo do tempo.
Tribunais que se destacam no índice costumam compartilhar características semelhantes, independentemente do porte:
- Investimento contínuo em infraestrutura de nuvem e segurança da informação, não apenas em software de uso final
- Renovação estruturada de parque de máquinas (desktops, notebooks, servidores), com planejamento plurianual em vez de reposição emergencial
- Centros de operação de segurança (SOC) e políticas formais de proteção de dados
- Times internos de TI com papel estratégico, não apenas operacional, dentro da gestão do órgão
O ponto que costuma ser subestimado: a infraestrutura física
Em avaliações como essa, é comum que a atenção se concentre em software, sistemas e políticas de governança, e menos na infraestrutura física que sustenta tudo isso. Mas nenhum SOC, nenhuma política de proteção de dados e nenhum sistema de interoperabilidade funciona de forma consistente sobre hardware defasado ou sem suporte técnico adequado.
Órgãos que registram os melhores resultados em infraestrutura tecnológica dentro desse tipo de índice normalmente investem de forma planejada em equipamentos com garantia estendida, ciclo de vida previsível e fornecedor com capacidade de suporte de longo prazo, exatamente o tipo de decisão que separa maturidade tecnológica real de digitalização superficial.
O que gestores de outros órgãos públicos podem aproveitar
O avanço do Judiciário serve como referência prática para secretarias, prefeituras e autarquias que ainda estão no início dessa jornada:
- Adotar métricas objetivas de maturidade: mesmo sem um índice nacional obrigatório, é possível estruturar avaliação interna nos mesmos moldes (governança, gestão, infraestrutura)
- Tratar renovação de hardware como parte da estratégia de TI: não como despesa emergencial isolada
- Priorizar fornecedores com histórico de suporte contínuo: já que maturidade tecnológica se constrói ao longo de anos, não em uma única compra
Conclusão
O recorde do Judiciário no iGovTIC-JUD mostra que maturidade tecnológica no setor público não é resultado de um único investimento, mas de um processo estruturado e sustentado ano após ano. Para outros órgãos públicos que ainda buscam consolidar sua própria trajetória de digitalização, o caminho é o mesmo: planejamento contínuo, infraestrutura confiável e fornecedores capazes de sustentar essa evolução no longo prazo.

