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Soberania tecnológica começa pela indústria nacional

 

As investigações sobre soberania tecnológica vêm redefinindo a maneira como as nações olham para seus setores. Considerando as geopolíticas crescentes, cadeias globais de fornecimento instáveis ​​e avanços rápidos em áreas como Inteligência Artificial e cibersegurança, a tecnologia passou a ocupar um espaço ainda mais importante nas decisões que estão estabelecendo o futuro das economias.

Nesse cenário, a soberania tecnológica está se materializando em escolhas mais estruturais, como a capacidade de um país de manter uma indústria de tecnologia realmente forte. Quando há investimentos internos no desenvolvimento de inovações essenciais, como hardware robusto, sistemas e software especializados, é garantido à nação condições reais para atuar com mais autonomia, reduzindo fragilidades comuns a quem precisa em excesso de tecnologias estrangeiras e ampliando a capacidade de resposta a mudanças.

Depender basicamente de provedores externos para dispositivos, infraestrutura e soluções críticas significa assumir riscos de interrupção de fornecimento, exposição a políticas externas, volatilidade cambial e limitações em relação à evolução tecnológica. Ter uma indústria robusta permite justamente mitigar essas ameaças, garantindo mais previsibilidade e controle da cadeia de inovação.

Ao integrar conhecimento, engenharia e habilidades de adaptação às necessidades reais do mercado local, compreendendo todo o ambiente operacional, suas restrições e restrições, a indústria nacional desenvolve soluções mais adequadas, resilientes e confiáveis. Essas tecnologias são projetadas para operar sob condições reais e não apenas em cenários ideais. Esse diferencial competitivo, que permite moldar a tecnologia às demandas concretas do território, da infraestrutura e das organizações, não pode ser importado.

No caso do Brasil, esse debate ganha ainda mais importância. Considerando a dimensão, mercados estratégicos diversos, incluindo agronegócio, energia, serviços financeiros e setor público, e um volume crescente de dados gerados diariamente, o país não pode depender apenas de tecnologia externa para sustentar tamanha complexidade. Por isso, a indústria brasileira vem construindo uma base tecnológica que responde às demandas atuais e que deve evoluir continuamente, incluindo a produção de equipamentos e sistemas capazes de serem usados ​​em conjunto com grandes tecnologias globais como Inteligência Artificial, Internet das Coisas e Nuvem, por exemplo, já apresentadas no dia a dia dos negócios.

Soberania tecnológica não é isolamento. Inclusive, ela pressupõe a capacidade de integrar-se a essas inovações estrangeiras, mas sem perder o poder de escolha, de decidir caminhos, evoluções e estratégias. Fortalecer a indústria nacional é, portanto, consolidar cada vez mais a habilidade do Brasil de manter o controle sobre seus próprios sistemas, suas infraestruturas, seus dados e sua economia. Em um ambiente global cada vez mais imprevisível, a produção local tornou-se um elemento de segurança econômica e estratégica.

Vale ressaltar que a soberania digital não é construída somente com infraestrutura ou sistemas. O desenvolvimento humano é fundamental para esse processo. A formação de profissionais técnicos capacitados é uma base para sustentar a evolução contínua das inovações estratégicas. Assim como uma nação não pode depender exclusivamente de soluções externas, também precisa garantir que o conhecimento e as competências permitidas para desenvolver, operar e evoluir essas tecnologias permaneçam no país.

Continuar investindo em fabricação própria de tecnologia está permitindo que o Brasil absorva transformações e avance de forma consistente, mesmo diante das instabilidades de fora. A intenção com isso é garantir que o futuro possa ser enfrentado com solidez, tornando o país um protagonista da inovação e não apenas um consumidor de novidades tecnológicas globais.

* Flávio Costa é Sócio Diretor da Daten Tecnologia 

Matéria disponível em: https://convergenciadigital.com.br/opiniao/soberania-tecnologica-comeca-pela-industria-nacional/

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