
O número é alarmante e serve como ponto de partida obrigatório para qualquer discussão sobre segurança digital no país: em 2025, o Brasil registrou mais de 753 bilhões de tentativas de ataque cibernético, o equivalente a 84% de todo o volume detectado na América Latina. O dado, somado a episódios recentes de invasão a sistemas públicos, coloca a infraestrutura crítica nacional no centro do debate sobre soberania tecnológica.
Um caso recente ilustra o risco de forma concreta: um ataque hacker atingiu o sistema de alertas da Defesa Civil, expondo falhas em uma infraestrutura pensada para proteger vidas em situações de emergência. Quando um sistema crítico falha por vulnerabilidade digital, o problema deixa de ser apenas de TI e passa a ser de segurança pública.
Por que o Brasil concentra tanto risco
A concentração de ataques no país não é acaso. Três fatores se combinam:
- Digitalização acelerada de serviços públicos e privados, ampliando a superfície de ataque mais rápido do que a maturidade em segurança acompanha
- Infraestrutura legada em muitos órgãos, com sistemas antigos operando junto a camadas mais modernas, criando pontos de vulnerabilidade
- Escassez de profissionais especializados em cibersegurança, gargalo recorrente tanto no setor público quanto no privado
Especialistas ouvidos pelo Fórum Econômico Mundial reforçam esse cenário: 87% consideram as vulnerabilidades tecnológicas o risco cibernético de crescimento mais acelerado atualmente, um alerta direto para qualquer organização que ainda trata segurança como item de checklist, e não como estratégia contínua.
A resposta institucional em curso
O governo brasileiro já sinaliza a resposta a esse cenário como prioridade de Estado, e não apenas de área técnica. Está em andamento o Plano Nacional de Cibersegurança (P-Ciber 2026–2027), que prevê, entre outras medidas:
- Fortalecimento do CISC gov.br como centro federal de coordenação de incidentes
- Ampliação da capacidade de resposta a ataques em infraestrutura crítica
- Integração de práticas de segurança entre esferas federal, estadual e municipal
O plano reconhece um ponto central: cibersegurança não é mais um tema isolado de defesa, é parte constitutiva da soberania digital do país, junto com semicondutores, dados e capacidade computacional própria.
O que isso significa para quem gerencia infraestrutura crítica
Para órgãos de defesa, segurança pública e infraestrutura essencial, o cenário atual exige ação em três frentes concretas:
- Auditoria de sistemas legados: identificar onde infraestrutura antiga ainda opera sem camadas modernas de proteção
- Hardware e servidores com suporte técnico qualificado: a resiliência de um sistema crítico começa na confiabilidade do equipamento que o sustenta, não apenas no software
- Planos de contingência testados, não apenas documentados, um sistema de alerta que falha durante um ataque real expõe a diferença entre protocolo no papel e protocolo funcional
Conclusão
O volume de ataques registrado no Brasil não é uma estatística abstrata, é um indicador direto de quanto a infraestrutura crítica do país ainda precisa evoluir para acompanhar o ritmo da própria digitalização. Para o setor de defesa e segurança, a prioridade de 2026 é clara: tratar cibersegurança como pilar estrutural, com investimento constante em tecnologia confiável, e não como resposta emergencial depois que o incidente já aconteceu.

